Robô dos EUA chega a marte: aventura política?

A semana começou com uma boa notícia vinda do mundo científico. O robô Curiosity (oportunidade, em inglês), desenvolvido pela Agência Espacial dos Estados Unidos, a Nasa, pousou em Marte, de onde enviou suas primeiras imagens. A missão, uma das mais ambiciosas do atual programa espacial norte-americano, tem implicações científicas, mas também políticas.

É inegável que, do ponto  de vista científico, a viagem é um estrondoso sucesso. Entender o planeta do sistema solar mais parecido com a Terra é um desejo que a humanidade carrega há séculos, e parece cada vez mais real. A exploração marciana deixa de ser uma teoria, ou material de filmes de ficção científica, para se tornar algo completamente factível.

Durante sua missão, a sonda, um pequeno robô capaz de fotografar e enviar dados direto de Marte, vai abrir caminho para se pensar, no futuro, em uma expedição tripulada até o "planeta vermelho" que segundo o planejamento de longo prazo da Nasa, deve acontecer até 2025. 

A chegada ao planeta vizinho, seria a maior cruzada já vencida pelo homem, superando o feito histórico ocorrido há quase 50 anos, quando os norte-americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram pela primeira vez na Lua, em 1969.

Por outro lado, a missão da Curiosity tem um cunho profundamente político. Promovida com a participação da Agência Espacial Europeia (ESA), a missão é uma tentativa de demonstração de poder dos Estados Unidos frente ao mundo, em especial diante da China e da Rússia, principais países que também detêm tecnologia espacial.

Desde o ano passado, os célebres ônibus espaciais foram aposentados pelo governo dos EUA -- a sua manutenção era muito cara, para um país em profunda crise -- e os norte-americanos perderam a capacidade de levar astronautas ao espaço, pelo menos até que seus substitutos sejam construídos, uma tarefa ainda sem data para ser cumprida.

Assim, por enquanto, para as únicas missões tripuladas que ainda mantêm: as visitas e trocas de turno na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), a Nasa tem que comprar um assento nos voos das Soyuz, as veteranas cápsulas espaciais da Rússia, país herdeiro da União Soviética, grande rival dos Estados Unidos durante a Corrida Espacial.

Por outro lado, um gigante vermelho chamado China, que vem conseguindo enviar seus "tikonautas" para o espaço e já iniciaram a construção da sua estação espacial, fazendo frente à hegemonia dos programas espaciais russo, europeu e norte-americano.

Desta forma, quando faz uma pequena nave desembarcar no planeta vermelho, enviando imagens em alta resolução  e dados atmosféricos de Marte, o governo dos Estados Unidos, busca, ainda que de maneira tímida, mostrar que no cenário internacional, ainda é um gigante. Ferido, mas ainda sim um gigante.

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