O custo de oportunidade Bolsa Família

Outro dia, aguardando numa longa fila de banco que em muito superou a tal lei dos 15 minutos, presenciei uma discussão bastante interessante entre aqueles que esperavam o atendimento. Um senhor por volta dos seus 70 anos, já aposentado, iniciou uma argumentação acerca dos problemas brasileiros apontando como ponto essencial, a letargia da população perante os desmandos corriqueiros das autoridades. E ele foi além.

O senhor trabalhou por muitas décadas no ramo da construção civil, no qual era responsável, dentre muitas atribuições, por selecionar braços fortes e com disposição de executar as exaustivas tarefas inerentes a um canteiro de obra. Segundo o aposentado, há alguns anos, trabalhadores dispostos a enfrentar o árduo trabalho eram facilmente encontrados nos rincões do Brasil. Porém, a situação mudou bastante recentemente.

De acordo com o senhor, a Bolsa Família oferecida pelo governo federal para aquelas famílias cujas rendas não proporcionam as mínimas condições de sobrevivência tem um custo de oportunidade brutal. O aposentado continuou afirmando que encontrar braços fortes dispostos a enfrentar as penúrias do trabalho na construção civil se tornou bastante difícil porque nos rincões brasileiros se vê muitas pessoas humildes com bonés, bermudas e camisas de marca sentados em bancos de praças em conversas intermináveis.

A conclusão é bem simples: a Bolsa Família tem o mérito inquestionável de prover famílias que viviam em condições precárias com o mínimo necessário para uma vida com dignidade, mas por outro lado não foi conduzido da forma adequada pelo governo federal no sentido de evitar que esta ajuda se tornasse um desincentivo a uma melhor qualificação e ao trabalho.

O fato incontestável é que muitos estão trocando os estudos e um emprego por um boné, uma bermuda, uma camisa de marca e um longo dia sentado à sombra de uma árvore conversando com amigos. O custo de oportunidade é altíssimo. As pessoas estão abrindo mão da possibilidade de se qualificar e de incrementar sua renda pela assistência eterna do governo federal. É essencial ensiná-los a pescar ao invés de levar o peixe todos os dias às mesas dessas pessoas – mesmo porque o alimento está sendo trocado por produtos de grife.